"Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver” Amyr Klink

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Patagonia 2017


Introdução


Difícil começar um relato de uma viagem desse porte;  não só pelo número de dias, mas pela riqueza de acontecimentos, foram tantos locais, paisagens, sabores, desafios...

05 motos (02 casais e 03 desgarupados)
Brasil, Argentina e Chile
24 dias
12807 km percorrido (400km de rípio)
730 litros de gasolina (por moto)
17,5 km/l de média (todas 1200cc)
10 aduanas em 08 Pasos diferentes:
- Paso Santo Tomé São Borja
- Paso Cardenal Antonio Samoré
- Paso Futaleufú
- Paso Ingeniero Ibañez Pallavicini
- Paso Rio Jeinemeni
- Paso Dorotea
- Paso Austral
- Paso de Los Libres
19 cidades de pernoite
Temperatura máxima: 45 graus
Temperatura mínima: 4 graus
0 dias de chuva
Altitude máxima: 1309m
Retorno: 5.000km em 5 dias (para 03 motos)


Já fazia 3 anos e meio desde minha última grande viagem: Peru, Machu Picchu. Normalmente o planejamento é tranquilo e com muita antecedência, mas dessa vez não foi assim. Iniciamos as conversas e muitos do grupo não conseguiram definir se iriam ou não  até muito perto da viagem, e, infelizmente, dois casais não conseguiram participar.

Assim, depois de muitas alterações, definimos o roteiro. Escolhemos os principais pontos de interesse, marcamos as datas, fizemos muitas reservas de hotéis pelo booking e torcemos para não dar nenhum furo no cronograma... e quase conseguimos.

Os casais Yamada e Antonieta (do RJ) e Glennan e Helena (de Juiz de Fora, MG) vieram até Blumenau, chegando no dia 25/jan para nossa partida no outro dia. De Blumenau, fomos eu, André e Zé Márcio.

SoyLocos reunidos para o briefing final

Jantar na Taphyoca, Blumenau SC


1° Dia, Blumenau até São Borja - 872 km


De manhã bem cedo, pelas 6h, encontramos com o pessoal no hotel e tivemos a satisfação dos amigos Adelar e Savio estarem lá pra despedida. O Savio iria fazer o mesmo percurso dias depois com a esposa na garupa e o filho com a namorada.



A tocada inicial foi tranquila, pois tem muito radar no caminho. As estradas, como sempre não são as melhores, mas até que esse trajeto estava razoável. Como saímos bem cedo, quase não pegamos trânsito.Chegamos  no final da tarde.



O escolhido para esse dia foi o Obino Hotel, simples, mas bom, preço justo. Comemos ali mesmo no restaurante do hotel (pratos de massa) e fomos descansar para o próximo dia.


Garagem precária pras motos, junto com a lenha, mas de portão trancado

Os primeiros dias são sempre mais difíceis, o corpo ainda está se acostumando e dói tudo.

2° Dia, São Borja até Firmat AR - 900 km


A passagem pela fronteira Paso San Tomé São Borja foi bem tranquila, sem grandes filas. Aproveitamos pra fazer ali o câmbio numa agência (brasileira) dentro da aduana mesmo, conseguimos boas taxas.



Seguimos pela Ruta 14, já nos acostumando com as boas estradas argentinas (e Chilenas): retas, sem buracos, pouco trânsito...



Poucos pedágios e baratos 

A passagem pela região de Rosário é linda, tem muitos lagos perto da pista e a paisagem muda muito durante o percurso.

Nessa primeira etapa da viagem nós não reservamos hotéis, pois não sabíamos o quanto ia render o grupo. Nesse dia rodamos bem (900km) e paramos em Firmat AR, cidade pequena, mas organizada. Fomos atrás de hotel e ficamos no Posta de Juarez, bem agradável. Vale comentar que eu fiquei em quartos triplos, junto com o André e o Zé Márcio, e na maioria das vezes era complicado, pois os quartos não são maiores por isso, então o espaço muitas vezes era bem reduzido.

Cerva geladinha enquanto aguardamos o quarto ser liberado

Jantamos no restaurante do hotel mesmo, por sinal muito bom. Vinho nacional e bife de chorizo a lo pobre (nosso bife a cavalo).


3º Dia, Firmat AR até Catriel AR - 946 km


Nem imaginamos, ao sair de manhã cedo com agradáveis 18 graus, que o dia iria ser tão "infernal". Pegamos a Ruta 33 (ahhh, o 33!), belíssima, banhada por lagos e verdes pastagens, muito gado, aves diversas, renderam lindas fotos.




Ali começou a esquentar, mas... 45 graus foi o que encaramos depois, infernal!
Outro problema nesse trecho foram os postos, cada vez mais escassos e com filas gigantes (no sol).


Ainda estava gostoso, 42 graus...


Ali pegamos o início da Patagonia

O calor é cruel até com o asfalto

Seguimos até Catriel, uma cidade no meio do nada, ponto de parada de tudo que é tipo de turista, pois é no meio do caminho de qualquer coisa por lá.
Hotéis lotados, e depois de muito procurar encontramos um muquifinho. O dono era mais grosso que dedo destroncado. Aquele calor dos infernos e quartos só com ventilador. Banheiro integrado (chuveiro, pia e vaso num único ambiente). A única vantagem é que tinha uma cozinha com geladeira, onde já colocamos umas cervas pra gelar logo que chegamos.



Fomos comer em outro muquifinho, mas esse foi uma boa surpresa, pois a comida estava bem gostosa e a cerveja bem gelada. Panqueca de verdura com carne de porco ao molho.


4º Dia, Catriel AR até San Martin de Los Andes - 561 km


Muito bom acordar pensando que o dia de pilotagem será mais curto. Andar de moto é muito bom, viajar então, é ótimo, mas isso não faz com que seja menos desgastante essas grandes quilometragens diárias. Não é fácil!

Já saímos com calor, mas fomos firmes. Quando chegamos em Neuquén dei uma perdida do grupo, o semáforo fechou não vi, voltei e eles tinha seguido por outro caminho que estava meu GPS. Segui até o posto que tínhamos combinado e fiquei esperando por uns 40min, como não apareceram continuei tocando em frente. Todos tinham o destino no GPS então no máximo nos encontraríamos a noite. O que aconteceu foi que como pegaram o caminho diferente enfrentaram um engarrafamento de obras que eu não peguei, por isso desencontrou mais ainda. Tentei acessar a internet no posto mas não consegui.
Passei por um lugar muito lindo, El Chocon, mas só parei pra tirar fotos e pra acessar a internet no posto de turismo (deixei mensagem pro pessoal que estava tocando em frente).


Uns km a frente parei em Piedra del Águila para abastecer, e ali o pessoal também chegou. Aproveitamos pra fazer um lanche mais reforçado pois era meio dia. Sanduba de Milanesa (isso é muito bom!).


Enquanto estávamos comendo uma argentina pediu pra subir na moto de um do nosso grupo e tombou ela pegado a porta de um carro e a moto do Andre. Perdemos um bom tempo ali esperando se resolver com o seguro. Resolvido isso tocamos em frente.

Fica a dica: nunca deixar subir na moto

Agora sim começa o filé da viagem: A chegada já perto de San Martin de Los Andes (em Junin de Los Andes) é fantástica, pois ao longe já pudemos ver o Vulcão Lanin com seu pico nevado.




Vulcão Lanin ao longe


Chegando na cidade tivemos outra boa surpresa, a pousada que reservamos foi uma das melhores da viagem. No booking está como Alquiler Temporario, na internet como Cabanas Las Morenas e lá tem uma placa Condomínio del Encuentro, ampla, dois banheiros, ótimas camas, cozinha completa... a cidade também é um show, bem organizada, mais estilo montanha, bons restaurantes.



A cidade é um charme.





Depois de organizar tudo fomos ao centro onde aproveitei e comprei um chip da Claro para o celular, paguei cerca de US$ 20 com créditos que duraram a viagem toda e ainda sobrou, ótima cobertura até na patagônia.
No jantar o meu primeiro cordeiro patagônico da viagem, de muitos... acompanhado de cervejas.



Depois ainda tomamos um chocolate quente na Abuela Goye, uma rede de chocolaterias da argentina, muito boa. Ah, enfim a temperatura bem mais agradável. O clima é mais ameno ali, mas seco, ok que é ótimo, inclusive pra aproveitar e lavar as roupas.



5º Dia, San Martin de Los Andes - 51 km


Tomamos o café da manhã "em casa" mesmo, compramos as coisas num mercadinho e nosso amigo Zé fez um ovo mexido de primeira.



Depois fomos dar uma volta, por ótima sugestão do André fomos até a estação de esqui Chapelco. Antes parada no Lago Lácar, que banha a cidade e está no Parque Nacional Lanin. O caminho é bem legal pois pega a rota dos sete lagos e já começa a pegar uma certa altitude, então a paisagem é sempre fabulosa.



Ao chegar lá no centro, uns 1258m de altitude pegamos um teleférico até a parte de cima, onde tem um bom café com vista de tirar o fôlego.





Chocolate quente e cubanitos de dulce de leche
com uma vista mais ou menos...


Na volta tivemos um perrengue (que se estendeu por alguns bons dias…), a moto do André apagou, perto da cidade, quando foi parar pra tirar uma foto do lago. Tentamos de tudo, até pegar no tranco, e nada. Deixamos a moto ali e fomos atrás de solução.

Perco a amizade mas não a foto...

Mensagem pra um e pra outro… até que suspeitaram de bateria. André e Zé mandaram fazer um cabo de chupeta e foram lá com a moto do Zé, deu certo, pelo menos por hora.



San Martin de Los Andes - Argentina                      
Altitude: 640m
25mil habitantes
Fundada em 1898

Vulcão Lanin
Altitude: 3747 m

Última erupção: desconhecida

Lago Lácar
Altitude: 630 m
Profundidade Máxima: 277m
Área: 55 km²
Origem Glacial
    .


Fomos jantar num restaurante mais perto, mas muito gostoso, além da boa comida e vinhos a equipe era bem divertida.



6º Dia, San Martin de Los Andes até Puerto Varas CH - 323 km


O roteiro do dia não poderia ser melhor: a famosa Rota dos Sete Lagos! Só mesmo passando por ela para entender tamanha beleza. Essa rota vai do Lago Lácar em SM de Los Andes até o Lago Nahuel Huapi, que é grande e chega até SC Bariloche.

O roteiro dos Sete Lagos

Nosso roteiro foi um pouco diferente, pois primeiro entramos no Chile até Puerto Varas e noutro dia voltamos para Bariloche. Até a fronteira são várias paradas para fotos com vistas deslumbrantes dos lagos e montanhas que cercam a região.





Nossa entrada no Chile foi pelo Paso Cardenal Antonio Samoré, passando por duas aduanas, a primeira da Argentina com muito movimento e desorganização típica, demorando mais de 2h.


Ali encontrei um caminhoneiro brasileiro, batemos um papo, nada fácil pra ele também, mas melhor que ficar andando pelas estradas brasileiras. Disse que leva muita carne do Brasil para o Chile.


A paisagem sempre mudando muito, ali em cima não é diferente. Na parada pras fotos no Paso o que chamou atenção foram as moscas, ou sei lá como chamar aquelas aberrações gigantes e truculentas, um estresse. Inclusive, aí vai um comentário ácido: são bem porcos os argentinos, que coisa… Adoram jogar lixo ao longo das estradas, um pecado, pois aquela paisagem natural e exótica se torna borrada de lixo.



Tem várias dessas formações nas cordilheiras

Depois veio a aduana Chilena, sempre mais organizada, mesmo com um pouco de movimento. Demora um pouco sempre na entrada para o Chile pois eles fazem uma revista, mas todas bem simples, só abrir os bauletos e mostrar que são roupas. No caso de motociclistas procuram mesmo por frutas que não podem entrar no país.

Aduana chilena, revista rápida da bagagem, sempre muito educados.


Logo depois de entrarmos no Chile, já umas 15h, ficamos de olho em algum lugar pra comer e paramos em um restaurante bem na beira do lago Puyehue. Que almoço… que vista… valeu! Bife de Chorizo com batatas. E água, hehe.


Lago Puyehue

Paramos na cidade de Frutillar pra tomar um café a beira do lago Llanquihue, com o Osorno ao fundo, seu pico nevado e a praia cheia de banhistas, vista surreal…


Café com Kuchen (nossa Cuca aqui do sul)

Chegamos a noite em Puerto Varas, mas lá escurece bem tarde, depois das 21h. A pousada já era conhecida do André, muito familiar e aconchegante. Tudo muito alemão! A cidade é de colonização alemã. Hostel Opapa Juan, é uma casa familiar tradicional, estilo da região, muita história. Tudo muito limpo e organizado, cuidado pela família há muito tempo. Nada de luxo, mas muito agradável, mesmo que o quarto triplo fosse pequeno e com pouco espaço para tudo (já nos acostumamos).

Opapa Juan


Nosso quarto foi ali naquela porta da direita, acordando com cheirinho de café



E a gastronomia continua… O jantar foi por sugestão da dona da pousada, num pequeno restaurante a duas quadras dali, e não poderia ter sido melhor. Restaurante El Patio de Mi Casa… fui de Merluza ao molho de frutos do mar e risoto, delicioso!



7º Dia, Puerto Varas, Puerto Montt e Vulcão Osorno - 189 km


Dia longo e intenso...

De manhã, a moto do Andre apresentou problema de novo, não pegou.


Fomos rodar atrás de uma bateria nova. Deu trabalho, em duas lojas grandes da cidade não tinham. Na segunda delas, a Moto Rancho, onde fomos por sinal muito bem atendidos, nos indicaram uma loja de Puerto Montt que tinha. O mecânico Pedro da loja disse que trabalhou na BMW e é casado com uma brasileira, foi muito gente boa deixando até o número do celular caso fosse necessário.

Até então o Andre estava de garupa com o Zé (coisa linda hehe). Voltamos à pousada, fizemos chupeta de novo na moto e aproveitamos pra visitar Puerto Montt. Chegamos lá e tomamos um chá de espera até a loja abrir e conseguirmos comprar uma bateria que quebrasse o galho, mas deu certo. Esperando apareceu uma figura inusitada, o Fredy, um motociclista meio doidinho e poliglota do jeito dele, rimos muito.

O poliglota Fredy de azul

Fomos até o mercado de pescados Angelmó, um antigo porto que agora funciona com restaurantes e bancas de produtos diversos (fica já numa bahia do Pacífico). É peculiar, os “restaurantes” são minúsculos, contudo de boa comida, peixes é claro. Congrio ao molho de frutos do mar, e água :(
Mas pra chegar e sair dali é um saco, trânsito horrível.


restaurante apertadinho do mercado

Angelmó é uma pequena baía localizada em Puerto Montt, frente à ilha Tenglo. Nasceu como um porto a fins do século XIX.
Seu nome se deve aos indígenas que não pronunciavam bem o nome de Ángel Montt, médico que vivia próximo deste lugar e que os auxiliava junto às emergências.
Na atualidade, é um centro de atrações turísticas que reúne una feria artesanal, um porto de embarque para o sul (Chiloé, Aisén, laguna San Rafael e Puerto Natales), palafitas e um mercado de mariscos e pescados e pequenos restaurantes.


Dali seguimos para subir o Osorno… ele, o protagonista da região, o Vulcão ! Emoção demais, que lugar, tamanha grandeza e beleza! Contornando o lago com o vulcão ao fundo, cada vez mais chegando perto dele.



Ao sair da pista principal pegamos uma estradinha que leva até a base dele, onde tem uma estação de esqui. Confesso que achei ele bem mais bonito de longe, mas ali é bem legal.

Estradinha no Parque dá acesso ao Osorno




Encontramos um chileno amante de motos também, veio falar com a gente, disse ter uma GS 1150 e uma GS 1100 ano 98, essa com 700mil km (ele disse…). Também conversamos com um casal alemão que estava de motorhome, viajam o mundo todo nele, mesmo já sendo mais de idade mostraram muita energia e alegria. Ah, eles já foram motociclistas também, fica a dica!

Vista do  Lago Llanquihue na descido do Osorno

Na volta paramos para um café, só o lugar já foi uma atração.



A noite (mas ainda claro) fomos passear na orla de Puerto Varas e procurar um lugar pra jantar. Boas cervejas artesanais e um sanduíche.

Estilo típico da cidade

Trilhos, bitola mais larga do que as do Brasil


Minha chilena preferida !


Lago Llanquihue - Chile

Altitude: 70 m
Profundidade Máxima: 317m
Área: 860 km²
Foz: Rio Maullín
Segundo maior lago do Chile e o terceiro maior lago natural da América do Sul
Cidades: Puerto Varas, Frutillar, Puerto Octay, Llanquihue

Vulcão Osorno - Chile
Ativo
Altitude: 2652 m
Última erupção: 1869

Puerto Varas - Chile
40mil habitantes
Fundada em 1854
Colonização alemã

Frutillar
5mil habitantes
Fundada em 1856
Colonização alemã

Puerto Montt - Chile
236mil habitantes
Fundada em 1853


8º Dia, Puerto Varas até San Carlos de Bariloche - 325 km


Agradecendo São Pedro... No dia anterior lindo céu azul, nesse dia provavelmente não conseguiria ter a mesma vista do Osorno. Apesar que por lá muda muito rápido o tempo devido aos fortes ventos.

Onde está você Osorno ?


Dia de pilotagem tranquila. A travessia das aduanas foi bem mais rápida que na ida, 30min cada.








Assim chegamos cedo em Bariloche. Me decepcionei com a cidade, esperava algo bem diferente pelo que tanto se fala dela. Acho que as obras na rua principal, que está sendo revitalizada, pode ter ajudado a gerar a impressão ruim. O lago é lindo, e imagino que no inverno deve ter outra cara.


O hotel Soft Bariloche era bem mais ou menos, complicado também, pois não tinha estacionamento nele, era quadras longe. Wifi não funcionou nos quartos como vendido, tudo meio velho.


Um passeio pelo centro, praça e orla.



Depois fomos jantar na Familia Weiss, sugerido pelo nosso cicerone local, Andre hehe. Lugar muito agradável, arquitetura de montanha e ótima comida. Aqui fui de cordeiro patagônico ao molho, muito bom.


9º Dia, Bariloche até Esquel - 341 km


Como nosso trecho de estrada no dia não era muito grande, aproveitamos e fomos dar uma volta no famoso Circuito Chico. O trajeto acompanha o Lago Nahuel Huapi passando por dentro do Parque Llao Llao, realmente lindo.

Vista do famoso Hotel Llao Llao






Encontramos um sr motociclista (Sr. Guilherme) que fez a carretera austral e Ushuaia entre 1969 a 1971, numa Indian, ele mostrou fotos.


Seguimos em direção Esquel que era nossa parada prevista. Achamos que viria água, colocamos as capas, e foram apenas umas garoas, apesar de fortinhas duraram pouco.
No caminho paramos em uma cafeteria de estrada onde pedimos uns lanches, muito bons, caseiros.



Direto pro Hotel Rayentray Tehuelche, bonzinho, quarto bem espaçoso e bom banheiro e camas.


Fomos dar uma volta no centro da pequena e pacata cidade, tem uma bela montanha ao fundo.


Damascos

Comprinhas de turista e depois fomos para o restaurante do hotel, muito bom, novamente fui de cordeiro acompanhado de vinho dessa vez.



10º Dia, Esquel até Puyuhuapi - 248 km (130km de rípio)


Aqui a coisa ficou séria… rípio. Para quem não conhece esse maldito piso é formado de terra batida e jogado por cima cascalho de rio, pequeno. Ele varia muito, tem trecho bem compactados, outros fofos e perigosos. Mas o maior problema são os trechos em obras de pavimentação, que aí é uma mistura de rípio com britas médias soltas, areiões e outras armadilhas. Abaixo dois exemplos.



Logo depois de Esquel tem a cidade de Trevelin, onde paramos no posto para calibrar os pneus baixando bastante a pressão, assim facilita andar nesses terrenos com os pneus menos off-road.


Foram árduos 130km com grande variação de piso. Um do grupo com garupa tombou a moto numa curva, mas nada de grave nem com eles e nem com a moto.
As paisagens são lindas, bem selvagens, mas não dá pra se distrair com elas muito, pois um desvio errado e certamente é chão.




Em Futaleufú passamos pelo paso fronteiriço, bem rápido ali, pouco movimento.







Logo depois paramos na cidade de Futaleufú pra fazer um câmbio chileno e comer algo.
Um dos amigos esqueceu a bolsa com todos os documentos, dinheiro, passaporte etc num banco em frente ao mercadinho. Só deu por falta mais de hora depois, adivinhem? Estava lá no mesmo lugar!



Seguimos firmes e cautelosos.  Aqui entramos na mítica Carretera Austral. Acessamos ela pelo quilômetro 300 e nela fizemos 530km.



Paramos pra abastecer em La Junta e aproveitamos e compramos frios, queijo e pães para o jantar, pois achamos que não teria nas cabanas. Ali encontramos um casa de motociclistas, cada um na sua moto, ela uma Russa, corajosa! Ele um argentino, disse que se conheceram nas estradas e ficaram juntos.

Casal russo

Mais rípio pesado e depois perto um pouco de Puyuhuapi, asfalto pra aliviar.







Reservamos o El Pangue Lodge, muito bom. Uma cabana grande com três quartos, cozinha e dois banheiros. O complexo é lindo, tem um grande e belíssimo lago com uma montanha ao fundo, piscina aquecida, ofurôs e restaurante. Não é perto da cidade, mas espetacular.



Mais mansos impossível, vieram brincar com a gente



Relaxamos do estresse nas piscinas aquecidas e depois fomos jantar.

Umas cervejas artesanais muito gostosas pra iniciar, depois Merlusa e vinho.

11º Dia, Puyuhuapi, Puerto Cisnes até Puerto Inginiero Ibañez - 433 km (95km de rípio)


Já sabendo que teríamos mais trechos em obras de pavimentação, então o pior tipo de piso possível, os dois casais resolveram contratar uma van para deslocar as garupas até o início do asfalto, em um entroncamento que levava a cidade de Puerto Cisnes.
Acompanhamos a van pelo trecho. Logo perto de Puyuhuapi paramos para a obra da pista que interditou uma via. Ali como em vários outros locais que presenciamos tinham turmas de jovens pedindo carona. Nosso “cavalo de padre”, o Zé, que não deixa de conversar nem com o boi da cerca, puxou papo com três jovens de Israel (Hadas, Stav e Topaz). Elas explicaram que os jovens de Israel servem obrigatoriamente o serviço militar, eles por 3 anos e elas 2 anos. E que depois desse período é comum viajarem para dar uma clareada na mente. Encontramos muitos grupos de Israel na viagem. Conseguimos pra elas carona na van das garupas do grupo.





Eu, Andre e Zé paramos para visitar o Ventisquero Colgante que fica no Parque Queulat (Yamada e Glennan acompanharam a van). Da estrada são 3km até o estacionamento e depois uma caminhada de uns 20min pra chegar na melhor vista. Vale muito a visita, fabuloso!


Caminhada até o lago do Ventisquero




Ali no estacionamento encontramos um outro casal de russos que alugaram uma yamaha 200c no Peru, enjambraram umas mochilas e estavam viajando a meses…



Seguimos pelo rípio… numa parada pra fotos no que achei ser um lago, mas na verdade é o oceano Pacífico, vi um movimento na água, golfinho. É muito surreal ter uma mar com montanhas e neve.












Incrível a quantidade de ciclistas nesses lugares, solitários, casais (a maioria), grupos e até famílias. Pedalam por locais inóspitos, com sol, calor intenso, chuva, frio intenso, ventos de jogar caminhão para fora da estrada. Olha essa família com dois pequenos, com carrinho e bicicletas infantis.


Ufa! Chegamos no asfalto, ali estava o grupo nos esperando pra continuarmos.

Alguém curtiu muito voltar ao asfalto

Ali pra baixo o combustível é mais complicado, tem que fazer os cálculos sempre pois tem poucos postos no caminho. Decidimos entrar em Puerto Cisnes para abastecer, comer e aproveitar pra conhecer mais uma cidade, mesmo que aumentando mais 65km de pilotagem no dia.
Almocei peixe frito a lo pobre (com ovo) e batatas, bem gostoso.



No caminho a magnitude do Cerro Castillo é de parar várias vezes para foto.




Chegando em Puerto Ibañez fomos brindados com mais um arco-íris, opa, um não, dois… e ao fundo a visão do Cerro Piramide e o Rio Ibañez que deságua no Lago General Carrera.




Cerro Pirâmide

A Cabanas Bordelago foi muito legal, ampla e bem estruturada, wifi forte, cozinha completa e até lareira, que usamos pois ali já estava mais friozinho.



Fizemos um macarrão e vinho no jantar.


12º Dia, Puerto Inginiero Ibañez até Chile Chico - 184 km (100km de rípio)


Ali começamos a mudar nosso roteiro original. Os casais não tinham condições de fazer o rípio até Puerto Rio Tranquilo e depois Chile Chico, seriam mais 330km. Decisão difícil pois gostaríamos muito de conhecer as Capelas de Mármore. Uma solução seria pegarmos a balsa em Puerto Ibañez e atravessar até Chile Chico, depois de lá faríamos um passeio por barco até as  capelas. Mas… não tinha vaga para as motos na balsa, tudo lotado pros próximos três dias. Resolvemos então que as garupas iriam de balsa e nós de moto pelo rípio mas pelo sentido inverso, entrando na Argentina e retornando ao Chile, com 100km de rípio nesse trecho.

Primeiro fomos abastecer as motos, e não tem posto, uma senhora vende em casa mesmo atrás do mercadinho dela. Levamos também por garantia um galãozinho com 5 litros e mais o do Zé com 3 litros.


A balsa e as garupas

O caminho para o Paso Ingeniero Ibañez Pallavicini é magnífico pelas paisagens, mas cruel pelo piso. Era tanta “costela de vaca” que achamos que as motos iriam se desmontar, além da dificuldade de manter ela estável. Em alguns pequenos trechos a pista estava pavimentada com paver, que alívio… mas daqui uns metros, bucha de novo.







A passagem na fronteira até que foi rápida, mesmo sendo tudo manual, formulário preenchido a caneta, nem um computador pra ajudar. Bom que eram dois ajudando.


Depois começamos o trecho mais pesado de rípio, uma estrada de mais de 10m de largura a se perder de vista. Parece melhor, mas não é. Como é bem larga os carros e passam em qualquer lugar e não compactam um trilho, assim tem rípio solto espalhado por tudo. Tivemos nesse trecho três quedas, duas com o mesmo piloto.
Graças, novamente sem nenhuma lesão nos pilotos e nada de grave nas motos.


?!?!?!?!?!!?



Na cidade de Perito Moreno começa o asfalto de novo.


O Paso Rio Jeinemeni também bem tranquilo e rápido, só precisamos passar as bolsas no scanner para entrar no Chile, normal.

Em Chile Chico as garupas já estavam no hotel esperando, que por sinal foi um dos melhores da viagem. Costañera Apart, tudo novinho, moderno, cozinha bem estruturada com bancada integrando com a sala.


Um banho reconfortante e saímos pra ver se encontrávamos uma agência de turismo pro passeio das capelas. Tudo fechado… então fomos pro supermercado comprar coisas pro café da manhã e pro jantar.




Ali o forte é pescados, então compramos peixe e marisco enlatados (mas muito bons) e fizemos duas pizzas de mariscos, que ficaram deliciosas acompanhadas de um bom vinho. Ah, mas antes teve degustação de cervejas também hic hic






San Carlos de Bariloche
130mil habitantes
Altitude: 893m
Fundada em 1825 por imigrantes alemães
Banhada pelo Lago Nahuel Huapi
Cercada pelo Cerro Tronador, Cerro Catedral e Cerro López

Lago Nahuel Huapi
Origem Glacial
Área: 530 km²
Profundidade máxima: 438 m
Descoberto em 1670

Esquel
30mil habitantes
Altitude: 563m
Fundada em 1865

Puerto Cisnes
5mil habitantes
Fundada em 1955

Puerto Inginiero Ibañez
Fundada em 1921
1mil habitantes
Altitude: 215m

Lago General Carrera/Buenos Aires
Área: 1850 km²
Profundidade máxima: 590 m
Maior lago do Chile e segundo maior da América do Sul (perde pro Titicaca)

Os primeiros dias da viagem estão abaixo na postagem...


13º Dia, Chile Chico até Comandante Luis Piedrabuena - 774 km 


De manhã saímos cedo pra ver do passeio as Capelas de Mármore e vimos que não era viável, duraria o dia todo de ônibus e barco, bem complicado de fazer dali, então infelizmente desistimos. Motivo pra voltar outro dia pra lá (não de moto hehe).
Aí veio a outra decisão, já perdemos a hospedagem de Rio Tranquilo e por lá não daria por causa do rípio, assim nosso próximo destino do cronograma era El Chalten. Para evitarmos o rípio da Ruta 40 o único caminho seria descer até Rio Gallegos e de lá subir por asfalto, 1460km. Como estávamos com um dia de crédito fizemos um duas pernas, até porque já prevemos os conhecidos ventos.

Um dos casais sabendo que o vento pra baixo na R3 é bem forte resolveu deixar moto em Comodoro Rivadavia e alugar um carro pra fazer o restante do percurso.

Novamente passamos pelo Paso Rio Jeinemeni, mas agora mais rápido pois foi para entrada na Argentina. Seguimos sentido Ruta 3, e o vento já dando uma castigada.


Ali foi legal pra mim pois tive boas lembranças de quando passamos para o Ushuaia em 2012, junto com a Mi, Lucca e Giorgia. Destaque para parada no posto de Tres Cerros, onde em 2012 dormimos num quarto que o chuveiro ficava dentro do bidê, mas teve o melhor cordeiro ensopado da viagem.
E o vento castigando...

Posto em Tres Cerros

As placas...



Nossa pernoite foi em Piedrabuena, num hotel bem na beira da pista chamado Rio Santa Cruz Hotel, simples mas bonzinho (só não gostei do cheiro de cigarro em tudo).



Do lado, num posto desativado tem um restaurante bem simples mas de comida bem gostosa, Milanesa a parmegiana e cerveja.


14º Dia, Piedrabuena até El Chaltén - 686km


Desayuno tomado, bagagens arrumadas, vamos ligar as motos e… 10m e a moto do Andre morreu! Nem o painel acendia. De imediato já elaboramos o plano B, ele iria de carona de carro com o casal que estava a caminho. Mas aí nosso consultor de assuntos tecnológicos, (substituto do MacGyver Roberto Tadeu), Zé, foi lá e viu que era cabo solto da bateria nova, ufa!

Motos na estrada e seguimos pela Ruta 3, agora cuidando muito com combustível pois a autonomia cai demais por causa do vento. Em alguns trechos fez 13 km/l. Depois de Piedrabuena tem um posto em uma localidade chamada La Esperanza, mas isso a 320km, o que era meio limite para as motos dos casais e até para as nossas, teríamos que baixar muito a velocidade e aí não renderia o dia. Assim decidimos entrar em Rio Gallegos e abastecer, mesmo isso acrescendo 60km.

O frio começou a pegar firme, devido o vento muito forte a sensação térmica aumenta demais. Como fui de roupa verão coloquei várias segunda pele, uma corta vento interna e ainda precisei colocar a capa de chuva.

Ali pegamos a Ruta 5, depois a Ruta 40 novamente até a entrada para El Chalten na Ruta 23. Que trecho mais lindo, beirando o Lago Viedma, se vê ao longe as montanhas nevadas, os glaciares, o verde vivo do lago de geleiras… surreal, estasiante !

Fitz Roy ao fundo

Portal do Parque Glaciares




Ali nesse trecho o vento foi absurdo, as rajadas jogavam a moto pra muito longe, muito complicado manter ela na pista. A montanhas e o lago formam um túnel de vento poderoso. A chegada a cidade é inebriante e ao mesmo tempo apavorante.

Mesmo no vento forte, eles estão lá, os ciclistas, normalmente em casal.

Logo na entrada paramos no único posto para abastecer, ali já se vê como o vento é cruel. A bomba fica isolada, o posto é um container com uma única bomba. Quase que as motos foram derrubadas pelas rajadas dos ventos.


Definitivamente para mim começou o filé da viagem. El Chaltén foi minha eleita da viagem. Pequena, simples, jovem, praticamente só montanhistas nas ruas que tem o comércio só pra eles. Ao fundo o Fitz Roy e o Cerro Torre, mesmo que não conseguimos ver por inteiro pois as nuvens persistiram o tempo todo.



Paredão de 200m em frente a pequena cidade.
Impossível captar nessa máquina, mas tem três alpinistas nessa parede.

Ali pegamos três pousadas, nós solteiro em uma e cada casal em outra. A nossa, Posada del Aguila, foi complicada, o quarto era minúsculo para os três, sem estrutura pra colocar as coisas. Estacionamento aberto em piso irregular, não funcionou wifi. Em contrapartida o vôvo que cuida lá, o mudinho hehe, deu detalhes de todos os passeios que poderiam ser feitos.

Posada del Aguila


Fomos jantar no centrinho, comida boa e bom vinho, cordeiro, claro !



15º Dia, El Chaltén até El Calafate - 214km


De manhã tomamos o café e fomos fazer um trekking até o mirante para o Fitz Roy, o tempo estava meio fechado, até garoou, mas minutos depois o vento fortíssimo já levou pra longe as nuvens d’água. Escolhemos um percurso que conseguiríamos fazer em 4h que era o tempo que tínhamos disponível.


Não foi muito fácil, era bem subida, mas valeu cada suspiro. O trajeto é por um bosque muito bonito, muito verde, raízes gigantes. Valeu, a vista é magnífica, deu até vontade de continuar e fazer os outros trajetos. Muitas fotos e depois descemos.


Vista de El Chalten










Monte FitzRoy 
Localizada na fronteira do Chile com a Argentina na região da Patagônia.
Altitude: 3.375 metros
Considerado o maior de todos os desafios do alpinismo, com paredes verticais que requerem técnica impecável para serem conquistadas. Também o clima da região é excepcionalmente traiçoeiro.

Robert FitzRoy (1805 — 1865)
Capitão do navio HMS Beagle, durante a famosa viagem de Charles Darwin. Foi um pioneiro na área da meteorologia, tendo tornado a previsão mais precisa do estado do tempo uma realidade. Foi explorador e hidrógrafo. Também exerceu tarefas desenhando diversos mapas e aquarelas. Serviu como Governador Geral da Nova Zelândia de 1843 até 1845 .


Chegamos na pousada, tomamos um banho e nos arrumamos para rumar para El Calafate.
Os casais não subiram, então saíram mais cedo e tocaram antes. Nós aproveitamos pra fazer um lanche reforçado para ganharmos tempo.
A volta foi com vento de popa, o túnel de vento nos favoreceu até a Ruta 40, depois pegamos de lado e já complicou de novo.

Ciao Fitz Roy

Apagando o incêndio

O trajeto da entrada para El Calafate pela Ruta 11 eu já conhecia de 2012, mas é sempre uma surpresa pela beleza. Tivemos que ir cuidando com o combustível novamente pois só na cidade teria abastecimento.

Ali também nossa pousada foi separada dos casais, pegamos a Las Cabanitas. São cabanas (parecem cabanas de anões hehe), teria sido boa se não fosse o banheiro que era um absurdo de espelunca, e também faltava umas prateleiras para acomodar as coisas. Fiquei muito chateado pois como ficaríamos 3 noites ali era pra ser melhorzinho.




A cidade de El Calafate é muito bem estruturada, simpática com uma avenida principal cheia de restaurantes e lojinhas diversas. O cheiro de cordeiro assado é embriagante. Um passeio no centro e fui conhecer o bar e café Pietro's, nada de especial, por sinal atendimento bem ruinzinho, só o nome que é lindo.



Aproveitamos para ver do passeio ao Glaciar Perito Moreno, pegamos o mini trekking, saindo do Puerto Bajos las sombras de dentro do Parque Glaciar.

Costume regional, levar vários cães na caçamba do carro

Minha dieta em El Calafate foi basicamente de Cordeiro, Cordeiro e mais Cordeiro.

16º Dia, El Calafate - 28km


Dia de descanso. Fomos dar uma pequena volta pelo lago Argentino, curtir a Cidade, comer e beber, nada demais.




?!?!?!?

A noite fomos jantar no Casimiro Biguá, que eu já conhecia, comer um cordeiro assado, o melhor que existe... comemos muito.


17º Dia, El Calafate - 28km


Esse dia foi só de passeios, e que passeios… O trekking estava marcado para às 11:30,  saímos mais cedo em direção ao parque Glaciar para aproveitar e ter a vista do Perito Moreno pelas passarelas.  o caminho é muito lindo vai margeando o lago argentino com sua cor verde-esmeralda e ao fundo as montanhas nevadas.  Apesar de algumas nuvens o tempo estava legal,  céu azul, mas mesmo assim fomos brindados com outro arco-íris.


Depois de curtir o Glaciar de cima, com a vista das passarelas, voltamos para o porto de onde saiu o barco até o local do trekking no gelo.







Foram só 20 minutos de barco chegando até o local onde tem uma estrutura base para se arrumar, comer e receber as instruções.


Primeiro tem uma boa caminhada  por uma plataforma de madeira e depois outra caminhada pela orla de areia e pedras até outro ponto onde são colocados os grampões para andar no gelo.

Lanchinho ao ar livre





Uma boa caminhada pelo gelo, subidas e algumas descidas, que tem que se tomar muito cuidado porque é fácil de virar o pé.  Mas a paisagem realmente vale muito a pena.  muito interessante como o gelo é duro e formam canais por onde escorrem as águas com formações azuladas maravilhosas.




o azul é intenso

água mais que limpa



No final da caminhada toma-se um whisky com gelo do Glaciar, muito legal!


De volta pra cidade, descansar, jantar (pizza e cerveja) e preparar tudo para partir de manhã cedo.


Lago Argentino
Altitude: 187m
Área: 1466 km²
Profundidade máxima: 500 m
Descoberto em 1875 pelo explorador Perito Moreno (1852 - 1919)

Glaciar Perito Moreno
Faz parte do Manto de gelo Patagônico Sul que é a terceira maior extensão de gelo continental do mundo (Antárctida e Groenlândia são os primeiros)
Possui 31km de extensão e até 60 metros de altura.
O deslocamento do glaciar em direção a península represa o Lago Argentino e as águas vão subindo dentro do lago, chegando até a 30 metros de altura. Nesse ponto a pressão das águas sobre a geleira é tão grande que rompe um  túnel imenso de gelo com uma abertura de mais de 50 metros, por onde as águas passam formando um fenômeno natural espetacular, que se repete em intervalos irregulares que variaram até hoje entre 2 e 15 anos.
Sua taxa de crescimento de cerca de 2 metros por dia, o total de 700 metros a cada ano e como perde volume praticamente na mesma proporção, se mantém estável.






18º Dia, El Calafate até Puerto Natales - 352km


O vento continua…

Tem três pasos bem próximos ali naquela região para atravessar para o Chile, não sabíamos se algum deles era todo asfalto, mas no máximo seriam 10km de rípio só.

O Paso Dorotea que fica em Rio Turbio era asfalto do lado argentino e concreto do lado chileno, por sinal característica das vias chilenas. Os dois foram tranquilos para passar pois tem pouco movimento.

O caminho para Puerto Natales é muito bonito, já de muito longe se vê a cadeia de montanhas que estão no Parque Torres del Paine. Ali também venta muito, muito mesmo.

Ao longe da estrada já se vê os Cuernos del paine

A cidade fica a beira mar, num dos inúmeros golfos que o Pacífico forma ali naquela região, o Golfo Almirante Montt, na região da Última Esperanza. Nada sofisticada, mas com seu charme e praticidade, como o amigo Andre fala, não gourmetizada. Tem uma bonita orla, as ruas são bem planejadas, largas e calçadas. Muitos restaurantes e comércio voltado para o turismo exploratório. Ela é o ponto principal de saída para o Parque Torres del Paine.





Fomos direto pro hotel, eu já conversando com meu capacete que se o banheiro não fosse bom eu pagaria minha terça parte do quarto reservado e procuraria outro, não aguentaria mais dois dias em uma banheiro espelunca igual das Las Cabanitas (urghhh). Mas a surpresa foi ótima, o Hostal Loreto Belen foi fantástico. Quarto amplo, muito limpo e organizado, banheiro grande e confortável. O Café da manhã completo e gostoso e o atendimento bem simpático.

Tomamos um banho e fomos atrás de agência de turismo pra ver sobre o passeio as Torres del Paine. Aí foi outra novela… primeiro (por falta de pesquisa) achamos que era mais perto, depois tinha a opção de excursão de ônibus que dura o dia todo, alugar um carro ou ir de moto mesmo. Como era domingo só no outro dia as 9h pra tentar carro e aí já perderíamos o ônibus. Resolvemos arriscar.

A noite fomos jantar na Picada do Carlito, o nome assustou, mas a estava bem legal, movimentado o lugar. Comi de entrada Centolla e pedi também um Cebiche de salmão, e para tomar Chopp de Calafate, muito bom mesmo.


19º Dia, Parque Torres del Paine - 252km


Tomamos o café e fomos ao centro tentar alugar um carro, em muitas locadoras e nada. Resolvemos então ir de moto. Voltamos, colocamos as roupas, organizamos e seguimos.

A coisa é assim: pega a estrada, anda uns 20km (até a entrada que vai pra gruta do Milodón,onde foi encontrado o fóssil do primo antigo do urso), dali começa o rípio. Uns 35km a frente fica entrada do parque, onde tem que se fazer um cadastro e pagar uma entrada (uns 30 US$). Dali pra se ter a vista legal das três torres tem mais uns 50km de rípio. A saída do parque pode ser feita continuando e saindo lá em Cerro Castillo, que só depois descobrimos tudo asfalto até o mirante. Então se tivéssemos feito o caminho inverso nem rípio pegaríamos.



O caminho é muito lindo, são vários lagos, montanhas nevadas, outras verdes e outras rochosas… rios, animais diversos. Cada curva uma pintura !





Para conseguir a foto acima foi necessário mais do que um clic, o vento era tanto que mal dava pra fica de pé, precisei me apoiar no vento, abaixo.

Flagra do amigo Zé


Nos indicaram ir até a Cascata Paine que teríamos uma visão de frente das três torres, e realmente foi lindo.

Aqui ainda só duas torres

Quase lá...

Enfim, Torres del Paine, minha expectativa era muito grande pra esse momento, ápice da viagem, ponto principal e mais longe que gostaria de ter alcançado, e sim! Chegamos !!! Talvez não da forma que eu gostaria, com todos juntos e pelos caminhos inicialmente planejados, mas mesmo assim chegamos, Alegria!

Cascata Paine e Torres del Paine ao fundo



Mas depois ainda paramos onde pra mim foi o mais bonito, bem as margens da Laguna Amarga.



Missão cumprida, iniciamos o retorno, que pensei fosse tranquilo… nada por lá é tranquilo. Apesar de ser asfalto (em alguns trechos com muitos buracos) o vento ali estava estúpido. Num certo momento ele insistiu em me tirar da pista, numa reta, tive que fazer contra-esterço pra conseguir trazer a moto de volta e mesmo assim com muita dificuldade. Igual aquele não tinha sentido ainda em nenhuma das viagens pela patagônia.


Guanacos

Ñandú, parente das Emas brasileiras

Paramos em Cerro Castillo para um café, parecia filme, tudo fechado, ninguém nas ruas, um vento assustador… mas o café e o papo com o sr. do bar foi bom. Ali também fica a aduana Chilena do primeiro paso.



Voltamos e fomos descansar pra mais tarde jantar. Fomos no restaurante Ultima Esperanza, que também estava ótimo, mais tranquilo. Nesse foi um caprichado prato de Centolla.

20º ao 24º Dia, Puerto Natales, Punta Arenas, Puerto San Julian, Puerto Madryn, Azul, Alegrete e Blumenau - 4977km


O retorno é sempre só o retorno… Diminuem as fotos, aumentam-se as quilometragens, a ansiedade começa a aumentar. Hora de ter mais atenção ainda.

Já que estávamos tão perto, seguimos a Ruta 9 resolvemos passar por Punta Arenas, considerada a última maior cidade do Chile, mais austral (cidade, não localidade). Fica as margens do Estreito de Magallanes.


Dali seguindo pela Ruta 255 entramos na Argentina pelo Paso Austral, entrando em Rio Gallegos e continuando pela Ruta 3.


Nesse primeiro dia rodamos 876km até Puerto San Julian onde paramos pra dormir. Pernoite no Hotel Bahia, bem confortável. A noite fomos procurar um restaurante pra jantar, mas era dia dos namorados e o melhorzinho estava lotado hehe Comemos uma massa nesse dia (bem meia boca). Como nossa tocada diária seria maior pra chegar no sábado nos separamos dos casais e seguimos solos.

Puerto San Julian, réplica da Nao Victoria

No dia seguinte fomos até Puerto Madryn, praticamente a mesma distância 873km.

Em San Julian encontramos uns motociclistas de SC, um deles deu uma dica que tinha uma Loberia bem ao lado da pista entre Caleta Olivia e Comodoro Rivadavia.


Fedidos

Até queríamos rodar mais mas próxima cidade pra dormir seria muito longe. Nos hospedamos no Hotel Rayentray Puerto Madryn, 4 estrelas, fantástico e com preço super bom.

Vista na chegada




Fomos jantar num restaurante da orla e surpreendidos com o melhor peixe com frutos do mar que comemos na viagem.


No outro dia tocamos bem, 1067km até a cidade de Azul já na região de Buenos Aires. Um inferno passar por Bahia Blanca (lembrou o estresse de Juliaca em 2013). Trânsito, caminhões, asfalto e concreto estourados, terror… Mas deu tudo certo.

A cidade de Azul é muito interessante, parece que voltamos no tempo muitos anos. Os prédios são da década de 40 (ou algo assim), os carros também, mas tudo em perfeito funcionamento. Chegamos já escuro e foi uma pauleira pra encontrar hotel, o principal estava lotado. Ficamos no Hotel Roma, bem, mas bem simples, banheiro integrado também hehe mas esse tinha pelo menos ar condicionado.






Onde fica o Alegrete? na nossa próxima parada, 1093km até lá. Pegamos a ruta 14 que na ida passamos por ela, só não contávamos que do lado da volta estava em reformas e bem ruim a pista. A fronteira em Uruguaiana é horrível, suja e desorganizada. Apesar de final do dia resolvemos que chegando a noite tocar mais 150km até o Alegrete. Nesse primeiro trecho até que a BR39o estava aceitável. Acertamos rápido um hotel, o Hotel Caverá, muito bom. Comemos uma pizza num charmoso casarão antigo, bem simples mas gostoso.



Último dia, 1068km. A BR390 um lixo, toda esburacada, caminhões e mais caminhões, radares… demoramos mais de 6h pra fazer os 400km até Porto Alegre. Aí depois fica bom, Freeway e BR101, fluxo tranquilo. Chegamos ainda claro, às 20h15 em Blumenau !


Aniversário especial na estrada, na sua maior viagem !


Bebemorando !

Quero agradecer a todos que participaram dessa viagem, primeiro a Milene que me suportou no planejamento e estresse pré-viagem, Giorgia e Lucca também. E depois no pós-viagem hehe
Sempre viagem com toda cautela pois sei que carrego vocês na minha garupa a cada km.
Os meus parceiros da viagem, principalmente os meninos André e Zé que dividimos quase tudo, quarto, banheiro, lanches, jantares, vinhos, cervejas e muitas, muitas risadas.

Pode ser que não seja assim, mas tenho ideia de ter finalizado as viagens para a Argentina e Chile de moto, o deslocamento de 10mil km só pra se chegar nos locais interessantes é muito cansativo. Vivi e aprendi muito nessas 04 grande viagens por lá, aprendi a amar e respeitar a natureza selvagem daquelas regiões.
Outros mundos me aguardam !


Animais da Patagônia

Vimos muitos animais na viagem, muitos vivos, outros infelizmente atropelados.

Guanacos, Lhamas e outros da família dos camêlos.




Ñandus, parente da Ema. Um pouco menor e com manchas brancas no dorso.


Tatus, Lebres, Golfinho, Raposas, Cervo e muitos tipos de aves..


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4 comentários:

  1. Acompanhei a viagem, e agora lendo as ótimas narrativas da viagem e belas fotos.

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  2. Em tempo saindo dia 12 com destino ao Atacama.

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  3. Maravilhosa viagem; excelente relato.
    Deu vontade de planejar outra. Vamos?

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  4. Amigo, qto seria o custo de uma viagem desta por casal?? Fdsnandocps@gmail.com

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